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OCB lança livro sobre origem do Cooperativismo
A Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB acaba de premiar o segmento cooperativista nacional com uma das mais belas e completas publicações, até então já editadas sobre a matéria. O livro com fotos raras e textos objetivos é leitura indispensável para todos os profissionais que trabalham no setor. O texto a seguir, feito a partir do livro, conta um pouco dessa importante História.

Em dezembro de 1844, surge a primeira cooperativa constituída no mundo, através de 28 tecelões que reuniram suas economias e montaram um armazém, a "Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale", em Manchester, Inglaterra. O grupo cria um novo modelo econômico alternativo - Cooperativismo, movimento que com seus princípios de igualdade, liberdade, ética e justiça, difunde e priorizava a eficiência na organização social em busca de objetivos comuns.
A expansão do Cooperativismo fez com que fosse criada em 1895, em Londres, Inglaterra, a Aliança Cooperativa Internacional -ACI, entidade de representação mundial, com objetivos de representar, defender e difundir os valores cooperativistas. Com sede em Genebra, Suíça, a ACI possui assento consultivo na Organização das Nações Unidas -ONU e, está subdividida em quatro seções regionais: ACI Europa, ACI Américas, ACI África, ACI Ásia e Pacífico. Filiado à ACI desde 1989, o Brasil entrou para a história da entidade: o atual ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, então presidente da OCB, foi eleito presidente da ACI Américas em 1992 e, presidente mundial da entidade de 1997 a 2001. Márcio Lopes de Freitas é vice-presidente da ACI Américas.


Princípios do Cooperativismo

Atualmente, são sete os princípios fundamentais para que umempreendimento se caracterize como uma cooperativa: Adesão Livre e Voluntária; Gestão Democrática e Livre; Participação Econômica dos Associados; Autonomia e Independência; Educação, Formação e Informação, Intercooperação e, Preocupação com a Comunidade (Responsabilidade Social) de autoria do ministro Roberto Rodrigues.
No Brasil, o movimento se concretizou em 1889, com a fundação da "Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto", primeira cooperativa de consumo, habitação e crédito. A partir do início do século XX o Cooperativismo recebeu grande impulso no Sul do Brasil. Em 1902, em Nova Petrópolis (RS), surgiu a primeira cooperativa de crédito - rural, a mais antiga ainda em funcionamento. Em 1932, o Decreto 22.239 adota a doutrina criada pelos probos de Rochdale; nosso Cooperativismo passa a contar com sua primeira lei, definindo as cooperativas como sociedades de pessoas e não de capital e garantindo isenção de alguns impostos.

 

Crises e divergências

A partir de 1930, com o controle do cooperativismo pelo Estado e, com a centralização do regime militar nos anos de 1960, o movimento enfrentava sérias crises. Havia divergências entre as duas entidades nacionais de representação do cooperativismo: a Aliança Brasileira de Cooperativas (Abcoop) e União Nacional das Associações Cooperativistas (Unasco), que enfraqueciam o movimento. Após um trabalho intenso, foi aprovada a criação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), em substituição às duas entidades, durante o IV Congresso Brasileiro de Cooperativismo, em 1969, em Belo Horizonte, MG. Em junho de 1970, a Assembléia Geral aprovou o Estatuto Social e deu posse à diretoria, tendo como presidente, Antônio José Rodrigues Filho.
Em 1971 foi promulgada a Lei 5.764 - Lei Nacional do Cooperativismo, que substituiu toda a legislação anterior e unificou a representação única do sistema pela OCB, que promoveu a
organização das entidades estaduais (OCE's). Vale lembrar que há mais de dez anos, tramita no Congresso Nacional, um Projeto de Lei Cooperativista que atualiza a Lei 5.764. Segundo o deputado federal Odacir Zonta, presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo Nacional - Frencoop, em entrevista ao Jornal "COOPERAÇÃO", órgão da Ocemg/Sescoop, a previsão de votação do projeto é para maio de 2005, mas precisa ser modernizado, dado ao tempo que tramita no Congresso.

 

 


Ministro da Agricultura,Roberto
Rodrigues (d), cumprimenta Paulo Rettore, pelo trabalho desenvolvido pela Conap.

Fonte de trabalho e renda

Às entidades estaduais - OCE's, elo de ligação com a entidade nacional, coube registrar, orientar, integrar e capacitar as cooperativas, profissionalizando-as e promovendo a autogestão. Assim, OCB viabilizou através de seminários, sérias discussões que reorganizaram e fortaleceram o Sistema Cooperativista. Hoje, o Brasil tem um Cooperativismo moderno, autônomo e independente. As cooperativas se enquadram num modelo empresarial, adequado ao adotado pelo Estado, mas deixam de ser um sistema alternativo e sim, uma importante fonte de produção,

trabalho e renda, que viabiliza a expansão econômica do País.

Fonte: Livro: "Cooperativismo Brasileiro - Uma História" - OCB /2004.


Cooperativas participaram com
6% do PIB nacional


Com o empenho da OCB e disposição do governo no incentivo ao Cooperativismo, democrático e competitivo, o segmento vem promovendo o desenvolvimento econômico e social com excelentes resultados. O Brasil tem 7.355 cooperativas que contam com 5.762 milhões de cooperados e, geram 182 mil empregos diretos. Em 2003, o setor contribuiu com 6% do PIB nacional, totalizando exportações no valor de R$1,09 bilhão.
O sistema OCB estabeleceu 13 diferentes ramos de cooperativas, que atendem a diversos setores da economia: Agropecuário, Consumo, Crédito, Educacional, Especial, Infra-Estrutura, Habitacional, Mineral, Produção, Saúde, Trabalho, Turismo e Lazer, Transporte de Cargas e Passageiros. Com significativa participação na economia nacional, o ramo agropecuário conta com 1.519 cooperativas, que agrupam mais de 950 mil cooperados. A Conap enquadra-se neste ramo e conta com 300 cooperados, que proporcionaram no ano de 2003 um faturamento de cerca de R$3,3 milhões.
Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de cooperativas: 1.201. Segue-se São Paulo com 1.000 e, Minas Gerais com 805 cooperativas registradas. Roraima apresenta o menor número: 28. A participação da mulher no segmento cresce a cada ano: 12% participam de direção das cooperativas brasileiras e 25% são cooperadas, o que dá um total de 1.314.661 mulheres. Com estes números o Cooperativismo brasileiro tem muito a comemorar!

Fonte: Núcleo de Banco de Dados da OCB - Dez / 2003 - www.ocb.org.br